A recarga de um veículo elétrico não é apenas “ligar na tomada”. Trata-se de uma comunicação inteligente entre o veículo e a estação, garantindo que a potência fornecida seja compatível com a capacidade de carga das baterias. No Brasil, os padrões mais usados são os europeus e chineses.
Categorias de Equipamentos (EVSE – Equipamento de Fornecimento de Veículos Elétricos)
No mercado brasileiro, os equipamentos são divididos pela aplicação e potência:
Carregadores Portáteis: Geralmente entregues com o veículo. Ligam-se em tomadas industriais ou residenciais comuns. Potência: 1,8 kW a 3,7 kW.
Wallbox: Estações de parede fixas. São o padrão para residências e condomínios. Potência: 7,4 kW (monofásico) ou 11 kW/22 kW (trifásico).
Carregadores Rápidos e Ultra Rápidos: Totens de grande porte encontrados em postos de combustíveis e rodovias. Operam em Corrente Contínua (DC). Potência: 50 kW a 350 kW.
Conectores Predominantes no Brasil
Embora existam vários padrões globais, se você está no Brasil, estes são os que você realmente encontrará:
Tipo 2 (Mennekes) – O mais comum para AC
É o padrão para recarga em corrente alternada (casa, prédios, shoppings).
Encontrado em: Quase todos os híbridos plug-in e elétricos (BYD, GWM, Volvo, BMW, Mercedes).
Possui 7 pinos e permite recarga trifásica.

CCS2 (Combined Charging System) – O Padrão rápido
É a “evolução” do Tipo 2 para carga rápida DC.
Encontrado em: É o plugue universal das estações de recarga rápida nas estradas brasileiras.
Possui os mesmos pinos do Tipo 2 na parte superior (para comunicação e travar o plugue) e dois pinos grandes na parte inferior para transmissão de alta corrente direto na bateria.

GB/T – O Padrão Chinês
Com a explosão de marcas como BYD e GWM, o padrão GB/T apareceu com frequencia.
Embora muitos carros chineses usem GB/T na China, as versões importadas para o Brasil costumam utilizar o Tipo 2/CCS2. No entanto, modelos de importação direta ou utilitários específicos podem usar o plugue GB/T, que é fisicamente incompatível com o Tipo 2 sem adaptador.

Por que a velocidade varia? (O gargalo do inversor)
Um erro comum é achar que um carregador de 22 kW carregará qualquer carro rápido.
O Inversor On-board: Todo carro tem um limite de aceitação em AC. Por exemplo, o BYD Dolphin Mini aceita até 6,6 kW em AC. Se você ligá-lo em um Wallbox de 22 kW, ele ainda carregará apenas 6,6 kW.
Carga DC: Quando você usa o CCS2, a energia “pula” o inversor do carro. Por isso, o mesmo Dolphin Mini pode carregar a 40 kW ou mais, pois a limitação passa a ser a química da bateria e não o hardware de conversão.
Curiosidades para o Usuário Brasileiro
Em casa: Instale um Wallbox Tipo 2 de 7,4 kW. É o melhor custo-benefício e atende 90% dos veículos.
Na rua: Procure por carregadores CCS2. Eles são os mais rápidos e compatíveis com a frota moderna.
Adaptadores: Se o seu carro for um padrão raro (como Tipo 1 ou GB/T nativo), tenha sempre um adaptador de qualidade para Tipo 2, que é a “língua universal” dos carregadores mais comuns no Brasil.
Fonte: Oficina Brasil